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Obesidade: informe-se!

A Obesidade é definida como o percentual de gordura acima de 20% do peso para homens e 30% para mulheres, ou um aumento do peso corporal às custas de tecido adiposo, acima de 20% do peso considerado ideal. A causa da obesidade não está completamente esclarecida embora a obesidade pareça ser uma doença crônica e complexa envolvendo fatores ambientais, genéticos, psicológicos, endócrinos e metabólicos.
A obesidade é reconhecida hoje como uma epidemia, que vem crescendo a cada ano, e um importante problema de saúde pública em todos os países inclusive o Brasil. Ela atinge adultos e crianças, e todas as camadas sociais, principalmente as mais pobres, causando graves problemas sociais e de saúde.
Nem todas as pessoas, com peso acima do normal, apresentam a mesma gama de problemas, portanto, as soluções para cada uma são diferenciadas. Por este motivo, há vários anos, procura-se avaliar as condições nutricionais de uma pessoa e diferenciar os obesos entre si utilizando-se um índice que é denominado Índice de Massa Corpórea ou IMC. Este índice é calculado dividindo-se o peso em quilogramas (Kg) pelo quadrado da altura em metros (m) [IMC = peso (Kg) / Altura2]. Por meio deste índice classificamos as pessoas com valores superiores a 30 kg/m2 como obesas.

        IMC (Kg/ m2)                 Nomenclatura
        < que 18.5                          Magro
        18.5 a 24.9                         Normal
        25.0 a 29.9                         Sobre peso
        30.0 a 34.9                         Obesidade leve
        35.0 a 39.9                         Obesidade moderada
        40.0 a 49.9                         Obesidade mórbida
        > ou  = 50.0                        Super obesidade

Sob o ponto de vista médico são considerados também dois tipos de obesidade com comportamentos diferentes: a obesidade central, andróide, visceral ou abdominal (Tipo maçã), quando a gordura está mais concentrada na região abdominal – mais freqüentemente encontrada no sexo masculino-, e a gordura periférica ou ginecóide (tipo pêra) quando está mais concentrada nos quadris – mais freqüentemente encontrada no sexo feminino. Para pacientes obesos com o mesmo IMC o paciente com obesidade abdominal tem um maior risco de desenvolver doenças cardiovasculares (coronariopatias, hipertensão arterial e trombo-embolismo), endócrinas (diabetes, virilização, distúrbios do ciclo menstrual, gravidez com complicações, esterilidade), respiratórias (dispnéia, insuficiência pulmonar, apnéia do sono, asma), gastrointestinais (doença do refluxo gastroesofágico, colelitíase, esteatose hepática, câncer do cólon), dermatológicas (intertrigo, úlceras varicosas), metabólicas (hiperlipemia, aumento do ácido úrico) e complicações pós-operatórias, enquanto a ginecóide tem maior risco de desenvolver complicações cardiovasculares periféricas e ortopédicas (osteoartrite degenerativa da coluna, bacia, joelhos, tornozelos e pés). A obesidade é mais grave em adultos que em idosos e as três co-morbidades com maior ameaça à vida e saúde dos pacientes obesos são: doença coronariana, hipertensão e diabete.
Além do tipo de obesidade, quanto mais obeso o paciente, maior o risco de desenvolver doenças associadas e complicações pós-operatórias. O risco de complicações e óbitos é muito mais elevado no super obeso (IMC > 50 kg/m2), por isso o obeso mórbido deve ser tratado o mais breve possível.

POR QUE OPERAR A OBESIDADE?
Para viver mais tempo.
Ter melhor qualidade de vida.
Arrumar um emprego com mais facilidade.
Arranjar um(a) namorado(a).
Tomar banho de praia ou piscina na frente de outras pessoas.
Praticar esportes.
Cruzar minhas pernas.
Poder amarrar os cordões do sapato.
E muitas outras coisas que o obeso sente falta.

COMO SE TRATA A OBESIDADE?
        As formas leve e moderada de obesidade são passíveis de tratamento não cirúrgico (dietético, fisioterápico, psicológico e balão intragástrico). Entretanto, pessoas com obesidade mórbida ou super obesos somente perdem peso caso sejam submetidos, além daquelas medidas, à cirurgia bariátrica.
É importante frisar que o sucesso do tratamento clínico, endoscópico ou cirúrgico da obesidade depende principalmente da motivação do indivíduo e da indicação precisa do método a ser utilizado. É muito importante que o obeso se sinta devidamente esclarecido e deseje alcançar os benefícios oferecidos pelo tratamento proposto. Deve aceitar plenamente o que lhe é proposto, compreendendo as razões do tratamento, e estar preparado para eventuais desconfortos e mesmo complicações.

TRATAMENTO NÃO CIRÚRGICO: geralmente indicado em pacientes com IMC < 35 kg/m2 com doenças associadas.
As opções de tratamento se relacionam com o grau de obesidade. As formas leves e moderadas são passíveis de tratamento clínico. Porém, este método isoladamente é pouco eficaz nos casos de obesidade mórbida ou superobesidade.

Tratamento clínico

Normalmente realizado por endocrinologistas, consiste em orientação dietética, atividade física e uso de medicamentos. Com este tipo de tratamento, aproximadamente três quartos dos pacientes irão obter uma perda de 5% ou mais do peso inicial. Cerca de metade perderão 10% ou mais de seu peso inicial, e um terço perderão 15% ou mais de seu peso inicial.
Os medicamentos podem causar nervosismo, boca seca, visão borrada, taquicardia, arritmia, hipertensão, náuseas, constipação, sudorese, perda temporária de memória e hipertensão pulmona, irritabilidade, insônia e euforia. Quando o medicamento é suprimido, podem ocorrer fadiga ou depressão.
Estudos revelam que a maioria dos pacientes que completa o tratamento clínico da obesidade perde aproximadamente 10% do seu peso, reganha um terço da perda no primeiro ano e quase todos voltam ao seu peso inicial dentro dos primeiros cinco anos.
Entre o tratamento não cirúrgico está incluído o uso do balão intragástrico.

TRATAMENTO CIRÚRGICO:

A cirurgia da obesidade mórbida não é um milagre, é só mais uma ferramenta. O objetivo do tratamento cirúrgico é o de reduzir o peso a níveis em que os riscos da obesidade se tornem aceitáveis, haja uma melhora na qualidade de vida e a perspectiva de vida seja próxima a da população não obesa. Este nível corresponde a um peso, de no máximo, 30% acima do ideal, ou seja, um IMC inferior a 35 kg/m2.
        A cirurgia da obesidade não tem finalidade estética e sim melhorar ou curar as doenças associadas e melhorar a qualidade de vida, permitindo que os pacientes recuperem suas atividades sociais, emocionais e laborais, e passem a ter uma expectativa de vida igual à média da população. Não operar um obeso mórbido é praticar uma omissão de socorro, é tornar-se conivente com a maior incidência de morte precoce e sofrimento desnecessário pelas doenças associadas.
É importante entender que as cirurgias bariátricas (cirurgias para perda de peso), não são cirurgias novas, mas derivadas das gastrectomias utilizadas nos últimos 121 anos para tratamento da doença ulcerosa e câncer gástrico, pois os cirurgiões observaram que a redução do estômago, associada ou não a desvios do trânsito alimentar, produzia uma importante perda de peso. A diferença é que antes estas cirurgias eram realizadas para tratamento de doenças gástricas, e hoje são realizadas em estômago normal para obter o efeito de perda de peso. Porém, os riscos e complicações são os mesmos das gastrectomias, acrescidos aqueles inerentes à própria obesidade e co-morbidades associadas. No entanto, novas técnicas foram descritas e aperfeiçoadas visando a melhoria dos resultados e diminuição das complicações, com a cirurgia por via laparoscópica.
Como os pacientes obesos mórbidos são diferentes entre si, atualmente existem vários métodos de tratamento com suas indicações, vantagens e desvantagens, para melhor adequar o tratamento a cada paciente.
O Serviço de Cirurgia de Obesidade da Clínica Procto Gastro está apto a realizar os vários métodos reconhecidos mundialmente para tratamento da obesidade: método endoscópico (balão Intragástrico) e métodos cirúrgicos por via convencional ou laparoscópica (banda gástrica ajustável, bypass gástrico, cirurgia de Scopinaro e o Duodenal “Switch”).
Qualquer paciente que esteja incluso em um dos critérios abaixo, pode ser operado se tiver pelo menos vários anos de história de obesidade, estiver bem esclarecido sobre o procedimento proposto, estiver preparado para as modificações importantes que ocorrerão no hábito alimentar pelo resto da vida, estiver fortemente motivado, que aceite o risco cirúrgico e esteja consciente da necessidade de continuar o acompanhamento após a cirurgia por vários anos.

  1. Pacientes com alto risco de vida devido à obesidade mórbida: IMC = ou > 40 kg/m2, ou ter 45 kg ou mais acima do peso ideal.
  2. Pacientes com IMC = ou > 35 kg/m2, que apresentem formas graves de doenças associadas, que podem ser reversíveis ou mais facilmente controláveis com a perda do peso, tais como diabetes, hipertensão arterial e artroses.
  3. Pacientes “recorrentes” (obtém perda de peso com os tratamentos, porém após o término retornam, em curto espaço de tempo, ao peso inicial) ou “refratários” apesar de tratamento clínico seguido corretamente (por mais de um ano), com reconhecido risco de complicações (predominantemente OBESIDADE ABDOMINAL) pode ter indicação quando o IMC > 35 kg/m2
  4. Pacientes de 18 a 60 anos de idade que esteja incluído em pelo menos um dos critérios acima. Pacientes com menos de 18 anos devem ser analisados isoladamente, pois não existem estudos suficientes em crianças e adolescentes para indicar a cirurgia neste grupo de pacientes com obesidade mórbida.

Estes critérios servem como guia e não como parâmetros absolutos.

QUEM NÃO DEVE SER OPERADO?

  1. Pacientes que engordaram muito em um curto período de tempo (por exemplo, durante a gravidez ou um trauma emocional) e não tenha tido tempo suficiente para esgotar todas as tentativas de emagrecimento não cirúrgico.
  2. Pacientes obesos que nunca tentaram métodos não cirúrgicos de perda de peso.
  3. Pacientes obesos por causa metabólica não tratada, como distúrbios de supra-renal e tireóide.
  4. Pacientes com doença cardiopulmonar ou doenças associadas que oferecem risco proibitivo à cirurgia.
  5. Pacientes indisciplinados ou não cooperativos, que não estão dispostos a seguir o programa de restrição dietética estabelecido pela equipe multidisciplinar.
  6. Pacientes sem capacidade intelectual para compreender todos os aspectos do tratamento, bem como dispor de suporte familiar constante.
  7. Pacientes em uso crônico de corticosteróide.
  8. Pacientes com IMC < 35 kg/m2 que não têm complicações e para quem os prováveis benefícios à saúde são “duvidosos”.
  9. Pacientes que têm dúvidas quanto às modificações que a cirurgia lhe trará no seu modo de vida.
  10. Embora não haja idades limítrofes para o tratamento cirúrgico, em geral as cirurgias devem ser evitadas em pacientes com menos de 18 ou mais de 60 anos, em virtude da necessidade de compreensão e colaboração do paciente após a cirurgia.
  11. Pacientes grávidas ou com possibilidade de estarem grávidas.
  12. Pacientes portadores de infecções que podem causar contaminação da prótese durante ou após a cirurgia.
  13. Pacientes portadores de doença auto-imune como lupus ou esclerodermia,
  14. O tratamento cirúrgico normalmente é contra-indicado em pacientes que correrão risco de piora de outras doenças em decorrência da perda de peso, como:
    1. Pacientes com pancreatite crônica.
    2. Pacientes com doenças inflamatórias do trato gastrointestinal, incluindo esofagite severa, úlcera gástrica ou duodenal, doença de Crohn e retocolite ulcerativa inespecífica.
    3. Pacientes com cirrose ou hipertensão portal.
    4. Pacientes com risco potencial de sangramento gastrointestinal alto tal como portadores de varizes gástricas ou esofágicas, ou portadores de telangiectasias intestinais congênitas ou adquiridas.
    5. Pacientes com neoplasia, distúrbios psiquiátricos, depressão severa, neurose ou psicose descontroladas, e idosos.
    6. Pacientes submetidos a retirada da hipófise, com distúrbios alimentares (comedores compulsivos), com alcoolismo crônico importante (principalmente se o paciente já for portador de cirrose hepática) e dependentes químicos.

FATORES QUE PODEM INFLUENCIAR NA ESCOLHA DO TIPO DE TRATAMENTO CIRÚRGICO
Um dos fatores fundamentais para obter sucesso no tratamento da obesidade é a colaboração do paciente. Quanto mais colaborativo o paciente, menos agressiva será a cirurgia necessária para a perda de peso. Por outro lado, os pacientes pouco colaborativos necessitam de cirurgias mais agressivas.

  1. Expectativa de perda ponderal:
    As técnicas restritivas são as que oferecem menor perda ponderal. Se o paciente for um grande obeso, por certo ainda manterá um sobre peso se for operado por técnica restritiva. O inverso também é verdadeiro. Indicar uma operação malabsortiva ou mista a um paciente cujo IMC seja limítrofe da obesidade mórbida poderá oferecer uma perda de peso importante, levando-o a uma situação oposta de desnutrição e magreza.
    Pacientes idosos, diabéticos insulino-dependentes e sedentários que se negam a fazer exercícios e que não seguem a dieta estabelecida no pós-operatório, terão fatalmente uma menor perda de peso, independente da técnica cirúrgica utilizada.
  2. Idade do paciente:
    As cirurgias malabsortivas ou mistas devem ser evitadas em pacientes idosos pelo maior risco de desenvolverem quadros de deficiências nutricionais importantes no pós-operatório.
    Os resultados dos tratamentos em adolescentes obesos dependem muito do engajamento dos pais.

  3. Hábitos de vida e comportamento alimentar:
    Pacientes tomadores de líquidos hipercalóricos ou comedores de açucares em geral apresentam menor perda de peso com o uso da banda gástrica ajustável. Estes pacientes quando submetidos à técnica mista (Fobi-Capella) podem apresentar a síndrome de “dumping”, que se caracteriza por náuseas, vômitos, sudorese fria, mal estar geral, palpitação, taquicardia, sensação de desmaio, cólicas abdominais e diarréia, decorrente da presença direta do açúcar no intestino.

  4. Facilidade e simplicidade de execução:
    A técnica de banda gástrica ajustável é a mais simples, mais rápida e de menor risco.

  5. Tipo de via de abordagem: Cirurgia convencional (com o abdômen aberto) ou laparoscópica (com abdômen fechado).
    Atualmente qualquer um dos procedimentos cirúrgicos, pode ser realizado por qualquer uma das duas vias, sendo que a via laparoscópica tem como vantagens produzir um trauma cirúrgico menor, menos dor no pós-operatório, ausência de grandes cicatrizes e menor risco de complicações ao nível das cicatrizes cirúrgicas. Porém, tem como desvantagens a necessidade de cirurgião treinado e o fato de ter um custo mais alto que a realizada por via convencional.

  6. Risco de complicações:
    A banda gástrica ajustável tem menores índices de complicação que as técnicas malabsortivas ou mista.

  7. Risco de óbito:
    A banda gástrica ajustável tem um risco de mortalidade bastante baixo, enquanto os métodos malabsortivos ou mistos tem um índice por volta de 0.5 a 1.0%.

De acordo com o IMC:

Um dos principais parâmetros utilizados na escolha do método de tratamento da obesidade depende do IMC do paciente.
IMC: 27 a 29.9 kg/m2 : Dieta com baixa caloria + atividade física + medicamento.
IMC: 30 a 34.9 kg/m2 : Dieta com muito baixa caloria + atividade física + medicamento +  Balão intragástrico.
IMC: 35 a 40 kg/m2 : Banda gástrica ajustável.
IMC 40 a 54.9 kg/m2 : Bypass gástrico em Y de Roux.
IMC acima de 55 kg/m2: Derivação biliopancreática tipo Scopinaro ou duodenal switch.

OS INDICADORES DE QUE A CIRURGIA PODE NÃO DAR BONS RESULTADOS:

  1. Não compreensão das mudanças que ocorrerão após as cirurgias da obesidade.
  2. Falta de apoio da família.
  3. Distúrbio emocional não tratado.
  4. Indivíduos com personalidade dependente.
  5. Pacientes com expectativas irreais da cirurgia (os pacientes freqüentemente têm a idéia de que a cirurgia é um “milagre” para sua obesidade).
  6. Indivíduos que relatam tendência a comer compulsivamente ou serem “beliscadores”.
  7. Pacientes sem motivação, trazidos para tratamento pela família e não por conta própria.
  8. Indivíduos que demonstram uma falta de autocuidado (higiene pessoal precária e cuidados com os dentes e vestimenta).
  9. Pacientes com IMC maior que 70 kg/m2, pois freqüentemente a perda de peso será inadequada.

TRATAMENTO CIRÚRGICO:
É o único tratamento comprovadamente eficaz na redução de peso, com manutenção em longo prazo nos casos graves de obesidade. Existem, no entanto, tipos diferentes de cirurgia. Devemos escolher qual a cirurgia que trará melhores resultados para você.

Não podemos esquecer que como em qualquer cirurgia, as operações em pacientes obesos também têm riscos de vida e de complicações decorrentes do procedimento cirúrgico, da anestesia e da própria obesidade como problemas cardio-circulatórios, respiratórios, metabólicos, trombose venosa, embolia pulmonar, etc. Estatisticamente, o risco de complicações é de 2% e o de morte de 0.6%, mas eles são menores que os riscos de ser um obeso mórbido.

Um resultado é considerado bom, o que não é essencial, quando ocorre perda de pelo menos 50% do excesso de peso inicial. Os maus resultados do tratamento cirúrgico geralmente se devem a falha na dieta pós-operatória (ingestão de alimentos com alto teor de gordura ou açúcar, ingestão de alimentos de forma contínua ao longo do dia, ingestão de líquidos durante as refeições, ingestão de álcool) ou falta de atividade física.
Os riscos de complicações e óbito de cada cirurgia aumentam quando esta cirurgia é utilizada para corrigir um mau resultado de outra cirurgia realizada inicialmente.

As cirurgias exigem acompanhamento médico em longo prazo, logo não devem ser utilizadas em pacientes que não podem comparecer às revisões periódicas.

A decisão para a escolha do método cirúrgico requer uma avaliação entre o risco e o benefício de cada um. Em resumo, na indicação do tipo de tratamento deve ser levada em conta a correlação entre:

O benefício esperado

Risco do procedimento cirúrgico
(risco zero não existe)
Risco de seqüelas pós-operatórias

Existem diferentes tipos de cirurgia, divididas em 3 grupos. Nossa equipe não tem predileção por nenhuma técnica em particular e está apita a realizar qualquer uma delas, pois entendemos que devemos indicar o procedimento baseado no perfil de cada paciente. As diferentes técnicas cirúrgicas são realizadas através da via convencional (cirurgia com abdômen aberto) ou via laparoscópica (cirurgia com abdômen fechado).

  1. Cirurgias restritivas: cirurgias que induzem a perda de peso pela limitação na quantidade de alimento que pode ser ingerida durante as refeições.
  2. Cirurgias malabsortivas: cirurgias que permitem ingerir quantidades quase normais de alimentos, porém produzem perda de peso por interferir na digestão e absorção dos alimentos ingeridos.
  3. Cirurgias mistas: cirurgias que produzem uma restrição importante ao volume de alimento ingerido, associada a um desvio intestinal que diminui a digestão e absorção deste alimento.

A via laparoscópica tem como vantagens em relação a via convencional: menor trauma cirúrgico, menor dor no pós-operatório, menor risco de complicações pós-operatórias (pelo fato de todos os tempos cirúrgicos serem realizados sob visão direta), menor incidência de complicações ao nível da incisão cirúrgica (seromas, hematomas, infecção, hérnias, etc.), melhor efeito estético, retorno mais rápido às atividades normais, menor custo final.

AVALIAÇÃO PRÉ-OPERATÓRIA MULTIDISCIPLINAR
Consideramos importante ressaltar, que o tratamento da obesidade mórbida deva ser feito por Serviço de Cirurgia da Obesidade (Cirurgia Bariátrica) formado por profissionais de várias áreas treinados na abordagem, tratamento e acompanhamento do paciente obeso mórbido, para que os resultados sejam bons. Estudos mostram que os melhores resultados são obtidos por estes serviços quando comparados com os resultados de tratamentos realizados por especialistas isoladamente. Estudos também mostram que quanto maior a experiência do Serviço menor o índice de complicações.

Todo procedimento cirúrgico necessita de uma avaliação clínica pré-operatória. Na cirurgia da obesidade mórbida essa avaliação é especialmente importante pela freqüência aumentada de doenças associadas como diabetes, gastrite, colelitíase (pedra na vesícula), doenças do fígado, doenças do aparelho cárdio-circulatório, doenças do aparelho respiratório, varizes, úlceras de membros inferiores, entre outras. A identificação e tratamento dessas doenças são importantes para redução das complicações cirúrgicas. Há um enfoque especial sobre o coração e os pulmões.

A avaliação pré-operatória possibilita ao médico estabelecer o chamado “risco cirúrgico”. Este risco dará ao cirurgião e anestesiologista a perfeita noção da condição pré-operatória do paciente, bem como quais serão os cuidados especiais a serem tomados em cada caso. Como a cirurgia para a obesidade mórbida é eletiva, ou seja, não se trata de uma emergência médica, esta avaliação deve ser realizada entre 2 a 12 semanas antes da cirurgia.

O cirurgião procurará estimular o paciente a perder peso antes da cirurgia, principalmente os super obesos. O ideal é a redução de pelo menos 10% do peso antes da operação.

Após a cirurgia, o paciente deverá retornar ao seu clínico para nova avaliação e acompanhamento das doenças associadas que apresentava antes da cirurgia.

A ANESTESIA
        Uma das maiores preocupações dos pacientes que desejam submeter-se à cirurgia para obesidade mórbida é a anestesia. Procuraremos esclarecer alguns pontos que geram dúvidas freqüentes.

Avaliação pré-anestésica: O paciente passa em consulta com o anestesiologista da equipe antes da cirurgia, para uma avaliação anestésica pré-operatória, conhecimento dos exames complementares e das avaliações clínicas já realizadas. Esta avaliação é realizada em consultório e tem por finalidade tomar medidas para prevenir ou reduzir os riscos de intercorrências durante o ato operatório. Esta avaliação prévia possibilita conhecer antecedentes de alergia, histórico de outras anestesias e cirurgias pelas quais o paciente já se submeteu. Permite que o paciente conheça o médico que vai anestesiá-lo e tirar as dúvidas e os medos mais comuns.

É importante finalizar dizendo que toda anestesia traz um risco próprio. Há avanços significativos no que se refere aos controles e novas drogas mais seguras, porém o fator de risco mais importante é a condição clínica prévia de cada um. Por esta razão é que damos muita ênfase aos exames e avaliações pré-operatórios.

COMO É O PÓS-OPERATÓRIO?
        Após a cirurgia, o paciente é encaminhado ao quarto onde permanecerá internado por 01 a 03 dias, dependendo do tipo de procedimento cirúrgico. Em alguns casos o paciente poderá ser encaminhado a unidade de terapia intensiva durante as primeiras 24 horas de pós-operatório.

É necessário que o obeso tenha plena consciência que seu tratamento não se encerra na alta hospitalar, mas que necessitará submeter-se às regras de comportamento que lhe assegurem o melhor resultado possível, para isso, contará com o apoio e intervenção, sempre que necessário da equipe multidisciplinar da Clínica Procto Gastro.

Você deverá ausentar-se do trabalho por um período de 8 a 30 dias, dependendo do tipo de procedimento cirúrgico realizado.

Quanto à dieta, é fundamental que se mude os hábitos alimentares com a orientação da nutricionista da Clínica Procto Gastro.

Só a cirurgia não é suficiente para perder peso; sua cooperação e obediência às orientações pós-operatórias são essenciais.

ACOMPANHAMENTO PÓS-OPERATÓRIO
O retorno com o cirurgião ocorre no décimo dia de pós-operatório, para avaliação e retirada dos pontos. Após, o retorno deve ocorrer por volta do 1o mês de operado. Posteriormente deverá retornar a cada 3 meses nos 2 primeiros anos e após a cada 6 meses. É importante que o paciente entenda que o tratamento não acaba com a retirada dos pontos. É um acompanhamento de longo prazo, para que o resultado seja satisfatório.
Além do cirurgião o paciente deve obrigatoriamente fazer acompanhamento pós-operatório com o(a) nutricionista para orientação sobre a dieta e reposições de nutrientes, minerais e vitaminas. Caso falte esse acompanhamento, o paciente corre o risco de apresentar complicações do procedimento cirúrgico ou, numa fase tardia, corre o risco de ganhar peso novamente após a fase inicial de perda de peso.

O tempo de acompanhamento com o psicólogo no pós-operatório dependerá de cada caso, pois a cirurgia irá modificar de forma significativa seus hábitos alimentares e a aparência de seu corpo. Você estará sensível a tudo isso já que sua perda de peso irá modificar suas relações com seu ambiente (familiar, social, de trabalho, etc.).

Você deve fazer atividades físicas assim que possível após a cirurgia a fim de aumentar ainda mais sua perda de peso e fortalecer seus músculos (perder massa gorda e ganhar massa magra).

Mesmo mulheres que não menstruam devem usar método contraceptivo, pois a gravidez deve ser evitada no primeiro ano de cirurgia, e quando ocorre deve ser pesquisada a possibilidade de anemia (deficiência de ferro e ácido fólico) e hipoproteinemia.

Cirurgia plástica é geralmente necessária entre 18 e 24 meses após o tratamento cirúrgico da sua obesidade. Após a perda de peso você terá que encarar as mudanças estéticas adversas as quais precisarão ser corrigidas, o que é considerada uma cirurgia reparadora e não estética. Você deve pensar nas conseqüências da sua perda de peso em relação à sua pele e aos tecidos, os quais mudarão, tornando-se moles, e ocasionalmente com dobras.

O QUE O PACIENTE DEVE EVITAR APÓS A CIRURGIA?
        Nas cirurgias convencionais (com abdômen aberto) o paciente deve evitar esforço físico, levantar crianças ou objetos pesados e caminhadas com esforço (escadas ou ladeiras) por pelo menos por 90 (noventa) dias.

O QUE O PACIENTE PODE FAZER?

  1. Andar em terrenos planos a partir do 1o dia de operado.
  2. Caminhadas (após 14 dias de operado para cirurgia por via laparoscópica e 30 dias para cirurgia por via convencional).
  3. Serviços domésticos leves (após 14 dias de operado para cirurgia por via laparoscópica e 30 dias para cirurgia por via convencional).
  4. Passear de carro como passageiro (após 07 dias de operado para cirurgia por via laparoscópica e 14 dias para cirurgia por via convencional).
  5. Dirigir (após 14 dias de operado para cirurgia por via laparoscópica e 30 dias para cirurgia por via convencional).
  6. Ter relações sexuais (após 14 dias de operado para cirurgia por via laparoscópica e 30 dias para cirurgia por via convencional).
  7. Atividade física (após 30 dias de operado para cirurgia por via laparoscópica e 90 dias para cirurgia por via convencional).

CONSELHOS FUNDAMENTAIS APÓS A CIRURGIA
Se você for se submeter a uma endoscopia digestiva alta, você deve informar ao médico endoscopista o procedimento cirúrgico realizado, e procurar realizar o exame em serviços de endoscopia ligados a serviço de cirurgia da obesidade, como o da Clínica Procto Gastro. O exame deve ser realizado com cuidado sem dilatação da bolsa gástrica ou do anel. O endoscopista pode encontrar fios ou grampos presentes na parede do estômago (dependendo do tipo de procedimento). Eles não devem ser removidos. São pontos ou suturas que garantem a aproximação das bordas seccionadas na cirurgia.

Evite engravidar durante o primeiro ano após a operação. Para isso, você deverá usar contraceptivo (oral ou DIU) neste período. A perda de peso que você terá poderá interferir no crescimento intra-uterino do feto. A banda gástrica ajustável deve ser “esvaziada” a fim de evitar o vômito. Deve ser introduzido um suplemento nutricional (especialmente ferro, folatos e vitaminas do complexo B).

Não deixe de fazer o acompanhamento pós-operatório. Você deverá realizar consultas periódicas de reavaliação. O acompanhamento pode ser modificado pelo seu cirurgião dependendo das suas necessidades. Você não poderá tomar remédios antiinflamatórios, pois eles podem provocar sangramentos digestivos.

 

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